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O aborto ilegal em Moçambique

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Filme produzido pela WLSA Moçambique sobre sobre uma jovem que, até há pouco tempo, vivia com fístula obstétrica.

"Omitidas"

Brochura elaborada pela WLSA Moçambique sobre o problema da fístula obstétrica - um drama que atinge cerca de 100.000 mulheres em Moçambique.

Omitidas

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Leia mais sobre fístula obstétrica

Contra a violência de género

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A sociedade civil manifestou-se na inauguração dos X Jogos Africanos

Vovós acusadas de feiticeiras:

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Breves

Conheça a nova rede: Homens que querem mudança!

Desenho de Malangatane
24
Fev
2011

REDE HOPEM

O dia 13 de Janeiro de 2009 teve um significado particular para a história do activismo pelos direitos humanos em Moçambique. Foi nesse dia que diferentes organizações se reuniram, com a especial participação de Dumisani Rebombo, um conhecido activista de género sul-africano, para estabelecer um movimento que se concordou em designar por Rede Homens Pela Mudança, HOPEM.

Nascida graças à vontade de vários homens e mulheres provenientes de organizações da sociedade civil, a REDE HOPEM veio inscrever-se nos esforços existentes para melhorar a qualidade de vida dos moçambicanos e moçambicanas, promovendo a sua dignidade. No seu “manifesto”, a REDE HOPEM apresenta-se como “uma rede de organizações e instituições que trabalham, ou estão interessadas, em lutar pelos direitos humanos de homens, mulheres e crianças”.

Algumas das razões que animaram a criação desta rede são: o questionamento das normas e práticas de género e masculinidade prejudiciais para homens e mulheres; a necessidade de reconsiderar os processos de socialização masculina e integrar mais os homens nas acções de promoção de igualdade de direitos entre homens e mulheres; o silêncio quase absoluto de muitos homens e a tolerância social bastante generalizada perante fenómenos que comprometem a realização dos direitos, tais como a violência contra as mulheres.

Estas razões alimentam continuamente a compreensão de que a reconstrução da actual ordem de género exige uma activa participação, responsabilização e transformação masculina e que as origens dos comportamentos masculinos se situam, em grande medida, na forma como os homens são educados pela própria sociedade. Os homens recebem e (re)produzem mensagens de que para adquirirem reconhecimento da sociedade, em especial dos seus pares, devem ser agressivos, demonstrar coragem, controlar e sancionar o comportamento das mulheres, ter várias parceiras sexuais, evitar expressar as suas emoções, usar a violência para resolver conflitos e fazer de tudo para manter a sua honra.

Esforços sucessivos de conquistar esse reconhecimento são invariavelmente constantes no dia-a-dia de muitos homens. Os custos desses esforços são elevadíssimos para homens jovens e adultos assim como para as suas parceiras e famílias. Pior do que isso, a mesma sociedade que os “autoriza” é a mesma que assume todas as despesas decorrentes das normas do que significa ser ou não ser homem. Por esta razão, é preciso analisar criticamente e transformar o processo de socialização masculina para desencorajar a reprodução da injustiça social e promover o bem estar social de todos(as).

Pode-se dizer que uma das principais ambições da REDE HOPEM é ser um espaço em que diversas organizações partilham e combinam esforços no sentido de encontrar formas adequadas para formar Novos Homens ou simplesmente dar visibilidade àqueles que recusam a hegemonia de modelos de masculinidade rígidos Através da REDE HOPEM, acções são coordenadas de forma a incluir a participação masculina e questionar dimensões prejudiciais das identidades dos homens no processo de busca da igualdade de género, saúde para todos(as) e erradicação da violência de género. É por isso que um dos seus objectivos principais é de promover a partilha de recursos, instrumentos, conhecimentos, a realização de acções de partilha de informação e boas práticas assim como iniciativas de trabalho com homens jovens e adultos no âmbito das questões de género.

Entre as preocupações actuais da REDE HOPEM figuram o seu próprio fortalecimento de modo a responder consistentemente aos desafios impostos pelas normas de masculinidade e género em circulação na sociedade moçambicana. Isto inclui a sua consolidação como uma rede de advocacia para mudança, melhoramento da sua capacidade de coordenação, bem como dos membros da rede para trabalharem com homens e conceitos de género e masculinidade, sob uma perspectiva transformativa, nos seus projectos particulares.

Figuram também o desenvolvimento de modelos de acções apropriadas, complementares às iniciativas e respostas já existentes, para aumentar a consciência pública e individual dos homens moçambicanos em relação às vulnerabilidades geradas pelos padrões actuais de masculinidade. Debates públicos, marchas de homens, eventos de partilha de experiências e conhecimentos, sessões de capacitação, conversas de homens (grupo reflexivo), etc., inserem-se nessas acções.

Atravessam e orientam acções da REDE HOPEM as seguintes preocupações: implicações das questões de masculinidade sobre o usufruto dos direitos sexuais e reprodutivos, assim como sobre a saúde de homens e mulheres em geral, respeito pela diversidade sexual, paternidade e participação activa em tarefas domésticas, conflitos sociais, estilos de vida auto-destrutivos e violência masculina contra as mulheres. São assuntos com os quais as vidas de homens e mulheres estão directamente relacionadas e em torno dos quais se espera que os membros da rede troquem ideias, proponham ou partilhem acções.

A violência masculina contra as mulheres, por ser uma forte expressão de discriminação social baseada no género e visível demonstração do carácter nocivo das maneiras predominantes de como ser homem, é uma questão que tem merecido atenção particular. As suas consequências são cada vez mais reconhecidas. É uma prática que impede a plena realização dos direitos humanos e contribui para o agravamento das condições de vida das populações, com destaque para mulheres e crianças. Muitos recursos humanos, materiais e financeiros, num contexto de escassez, têm sido canalizados para dar resposta aos problemas gerados por esta forma de violência. Isto significa que se este fenómeno for erradicado, outras áreas sociais podem, potencialmente, beneficiar de mais atenção e dos limitados recursos disponíveis.

Ainda que muitos passos notáveis tenham sido dados por Moçambique na resposta aos desafios impostos pelas desigualdades de género, particularmente em relação à violência doméstica, em termos de medidas legislativas e políticas é preciso desenvolver programas e mecanismos educativos que facilitem transformações efectivas nas maneiras de ser homem. Esses programas podem representar uma contribuição inestimável para a redefinição das hierarquizadas posições sociais assim como para o perfil dos homens moçambicanos. Novas formas de olhar para realidade sociocultural, em que um espírito autocrítico perante o que há de positivo e negativo nas nossas culturas podem ser elaboradas e assumidas pelos homens através desses programas.

A REDE HOPEM privilegia uma abordagem de Homem Para Homem e valoriza uma perspectiva ecológica. Uma perspectiva ecológica implica que diferentes intervenientes ofereçam respostas em diversos níveis implicados pelos problemas. Assim, para induzir mudanças efectivas nas normas e comportamentos no âmbito de formas prejudiciais de masculinidades é relevante aumentar o conhecimento e as habilidades individuais dos homens em relação à influência negativa que as normas de género podem ter sobre si; orientar as comunidades e famílias sobre como podem apoiar os homens no desenvolvimento de maneiras positivas de ser homem; melhorar práticas e procedimentos das organizações, sejam de organizações da sociedade civil, privadas ou governamentais, para que complementem os programas de transformação das identidades e práticas masculinas, e influenciar o estabelecimento de leis e politicas adequadas1.

Entretanto, como uma rede de advocacia para mudanças sociais, a REDE HOPEM não está isenta de desafios. Alguns impostos pelo contexto social moçambicano e outros inerentes ao processo de crescimento da própria rede. Efectivas mudanças nos padrões de masculinidade devem corresponder a reais transformações de atitudes e comportamentos. Ora, como avaliar eficazmente essas mudanças? Além disso, a alteração das masculinidades demanda um processo social de transformações que faz face a relações de poder em um contexto de pobreza, limitado acesso à educação, limitada consciência dos direitos humanos e onde as culturas são frequentemente vistas como imutáveis.

Muito poucos estudos e informações sistematizadas actualizadas sobre valores e atitudes masculinas em relação às questões de género, incluindo, por exemplo, informações específicas sobre os homens que cometem actos de violência, estão disponíveis. E, à semelhança do que acontece com diversas organizações e movimentos sociais em Moçambique, como assegurar a sustentabilidade da rede num contexto marcado por fragilidades políticas e institucionais da sociedade civil?

Princípios adoptados pela REDE HOPEM

No plano internacional, a REDE HOPEM é membro activo da Rede MenEngage Internacional, a qual consiste numa aliança global onde estão representados países dos quatro cantos do mundo num esforço para eliminar disparidades de género entre homens e mulheres. Enquanto membro deste movimento global, a REDE HOPEM é subscritora de alguns princípios entre os quais se incluem os seguintes:

  • Questionamento da violência dos homens contra as mulheres;
  • Promoção das convenções e declarações de acção das Nações Unidas, assim como dos instrumentos nacionais e regionais de protecção dos direitos humanos de homens e mulheres;
  • Envolvimento de homens na realização de tarefas domésticas, promovendo uma participação igualitária e activa de homens e rapazes nos cuidados das crianças e na realização de todas tarefas domésticas;
  • Colaboração com organizações promotoras dos direitos das mulheres como forma de atingir a igualdade entre mulheres e homens jovens e adultos(as);
  • Respeito pela diversidade sexual e pelos direitos sexuais e reprodutivos, promovendo culturas de masculinidade que respeitem a diversidade sexual e os direitos sexuais e reprodutivos de todos(as), bem como afirmando que a saúde reprodutiva e a contracepção são assuntos de responsabilidade partilhada entre homens e mulheres;
  • Reconhecimento das vulnerabilidades do homem na medida em que as necessidades e experiências específicas de homens e rapazes têm sido frequentemente pouco compreendidas e consideradas. Homens jovens e adultos tornam-se vulneráveis devido a versões violentas de masculinidade;
  • Não discriminação activa e defesa da eliminação do sexismo, exclusão social, homofobia, racismo ou qualquer outra forma de comportamento discriminatório contra homens e mulheres;
  • Adopção de uma perspectiva de direitos humanos em todas as suas actividades.

Por: Júlio Langa


Nota:

  1. Adaptado de EngenderHealth e Promundo (2008). Envolvendo Rapazes e Homens na Transformação das Relações de Género. New York: EngenderHealth e Promundo.

* * *

4 comentários a “Conheça a nova rede: Homens que querem mudança!”

  1. Luis Quiba diz:

    A associacao ja tem representacoes provincias??
    Se tiver onde onde se pode ter a localizacao

  2. A. Cumbi diz:

    Infelizmente ainda não. Esse é um dos desafios da Rede HOPEM nos próximos anos, criar representações ao nível das províncias para melhor articular as suas actividades. Contudo, pode-se entrar em contacto com a rede através dos emails: julioalanga27@yahoo.com.br; “HOPEM-MOZ HOPEM” hopem.moz@gmail.com, ou ligar para o número 82 28 70 060.

  3. Filipe daniel tumbo diz:

    É uma iniciativa de louvar, só hoje pude aceder a essa informação e julgo ser de estrema importáncia.

  4. mauro maguito diz:

    iniciativa muito importante para sociedade moçambicana, Homens na luta pela igualdade de género…

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