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Omitidas

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Breves

Feminismo e crítica social

29
Mar
2017

Estando a aproximarmo-nos do mês da mulher moçambicana (com a comemoração do 7 de Abril), traz-se aqui um texto sobre feminismo e crítica social.

 

“Quem é feminista e não é de esquerda, carece de estratégia.
Quem é de esquerda e não é feminista, carece de profundidade”.
Rosa Luxemburgo (1870-1919)

Como activistas dos direitos humanos das mulheres, muitas vezes somos questionadas sobre a nossa mobilização e participação em movimentos de protesto contra assuntos como a crise económica, a dívida ilegal, a corrupção ou os esquadrões da morte. Como se o activismo devesse ficar acantonado e não extravasar dos limites estreitos do que se convencionou chamar de “assuntos de mulher”, a saber, a violência doméstica, a mortalidade materna ou os casamentos prematuros, entre outros.

O movimento feminista, devedor de esforços congregados ao nível internacional e nacional, é uma expressão do protagonismo social das mulheres e sinaliza as conquistas legais e outras que advêm do mesmo. Mesmo se as relações de género, construídas no âmbito do patriarcado, pressupõem que as diferenças entre os corpos feminino e masculino (a anatomia é política, no dizer de Nicole-Claude Mathieu) determinam as funções sociais e a subalternidade das mulheres.

A luta das mulheres para desconstruir esses pressupostos naturalizados da subordinação feminina, afirma-se como diária e difícil. Persistente sobretudo, se pensarmos na hercúlea tarefa que é desafiar os quotidianos e as normas por que se regem, denunciando o arbitrário cultural.

As agendas feministas, ao subverterem a ordem estabelecida, são verdadeiras demandas inclusivas de cidadania, reivindicando o protagonismo dos vários sujeitos sociais. Não é possível exigir igualdade entre mulheres e homens e deixar de lado outras exclusões, sejam elas baseadas na orientação sexual, na raça ou na origem social, só para citar algumas.

Ao fazer isto, o feminismo é necessariamente plural e precisa manter-se como crítica de um estado de coisas injusto e antidemocrático. Por isso, a situação actual do país merece toda a atenção e deve estar no foco das atenções, pois esta crise é também a deriva para um regime cada vez mais autoritário e restritivo dos direitos humanos. A cada dia que passa vemos que as condições de vida se agravam, enquanto progressivamente há menos espaço para ouvir as vozes críticas do regime, com o seu expoente máximo que são os esquadrões da morte (podemos chamar-lhe outros nomes, mas trata-se na essência da eliminação física dos opositores políticos).

A crise económica, a dívida ilegal e a corrupção impactam directamente na vida das populações, mas sem dúvida representam um maior encargo para as mulheres. Ou não fosse feminina a pobreza, feminino também o rosto do SIDA e a responsabilidade de prover a família.

Não há democracia sem igualdade de género, assim como as demandas do feminismo exigem um contexto democrático para contestar, reivindicar e agir. E por isso esta luta é nossa. Solidariedade com todas as exclusões, engajamento e abertura para todos os sujeitos e todas as demandas.

Pela democracia!

Pela Igualdade!

Pela Inclusão de todas e todos!

Maria José Arthur
(publicado na Agenda Mulher 2017)

 

  • Veja o postal da WLSA Moçambique para o dia 7 de Abril clicando na imagem em baixo:

Postal de 7 de Abril 2017

 

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Mulher e Lei na África Austral - Moçambique